Dor do membro fantasma! Se não existe mais, porque sinto dor? Pode ser aliviada?

Dor do membro fantasma! Se não existe mais, porque sinto dor? Pode ser aliviada?

Imagine sofrer um acidente tão grave que o melhor do procedimento médico é amputar o braço. Você pode imaginar que a pessoa passará por uma mudança na sua vida. Terá que se adaptar para fazer suas atividades com uma única mão. Sua autoestima provavelmente ficará abalada. Cerca de 70% das pessoas que sofreram amputação apresentam dor no membro que não existe mais, pelo menos fisicamente. Além disso coisas estranhas acontecem. Por exemplo, tocar na bochecha de uma pessoa após a amputação do braço, pode faze-la sentir o toque no polegar que não existe!

Anestésicos locais no coto parecem não aliviar a dor. Analgésicos diretamente aplicados na medula espinal, onde a mensagem de dor passa antes de chegar no cérebro, não fazem nem cócegas! Pesquisadores começaram a desconfiar que a dor poderia acontecer por alguma mudança no cérebro.

Sabíamos que em nosso cérebro, existia um mapa que representava cada parte do nosso corpo. Ou seja, existe uma área no cérebro ligada diretamente com o nosso polegar da mão. Essa é a área do polegar no cérebro que existe desde nosso nascimento.

A área da mão no cérebro está ao lado da área da face no cérebro.

Quando uma pessoa sofre uma amputação na mão, as células nervosas localizadas na mão, que deveriam enviar mensagens ao cérebro, deixa de fazer isso.

Avaliando o cérebro de pessoas amputadas, descobrimos que a área respectiva no cérebro começa a reduzir seu tamanho. Isso é compreensível já que essa área deixa de receber estímulos. Agora, a área do cérebro ao lado, começa a invadir o espaço que era ocupado pelas células do membro amputado.

Será que a dor é causada por essa reorganização que acontece no cérebro? Para responder essa pergunta temos que fazer alguma coisa para as áreas cerebrais voltarem ao normal e verificar se a dor diminui.

Existem muitas maneiras terapêuticas que visam a normalizar essas áreas no cérebro: uso de próteses mio elétricas, criação da ilusão de que a mão ainda existe através de um espelho, ver imagens fotográficas das mãos em diferentes posições e tentar identificar se é a mão direita ou esquerda, imaginar sensações e movimentos normais no membro amputado.

Pesquisa

Pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra avaliaram a atividade das áreas relacionadas a face e da mão amputada de 13 pacientes antes e após um treinamento para reverter a mudança acontecida no cérebro. Os pesquisadores avaliaram o quanto esses pacientes sentiam de dor antes e depois o tratamento.

Tratamento

Durante 6 semanas, os pacientes tinham que praticar, por uma hora, exercício de relaxamento mental, sentir as sensações do corpo de olhos fechados, sentir a sensação do membro amputado e imaginar movimentos acontecendo no membro amputado.

Resultado

Os pacientes tiveram um alivio médio da dor constante de 7,5 (numa escala de 0 a 10) para 4. Além disso, 6 pacientes de 13 pesquisados disseram não ter sentido mais a exacerbação repentina da dor.

E o que aconteceu no exame do cérebro? Antes do tratamento a área da mão ativava desnecessariamente quando o individuo movia seus lábio. Após o tratamento isso não acontecia mais, ficando mais parecido com pessoas normais.

Conclusão

Podemos ativar áreas do cérebro que deixaram de receber ativação por causa da amputação. Isso pode fazer o cérebro retornar, pelo menos parcialmente, para a organização anterior a amputação.

Existem técnicas que visam a reorganização cerebral que parecem aliviar a dor de pessoas que sofreram amputação.

Referencia: Phantom limb pain, cortical reorganization and the therapeutic effect of mental imagery 

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