Os 3 passos para alguém inovar no tratamento da dor lombar!

Os 3 passos para alguém inovar no tratamento da dor lombar!

Eu tenho uma boa noticia para uma pessoa com dor lombar crônica.

“Existem vários tratamentos que podem aliviar a dor ou a incapacidade em pacientes com dor lombar crônica. Como por exemplo: exercícios (incluindo yoga, pilates, fisioterapia, Tai Chi), terapia cognitivo comportamental, meditação, acupuntura, terapia manual.”

Mas agora tenho uma noticia um tanto desanimadora:

“Todas essas intervenções tem um efeito pequeno ou no máximo modesto”.

Isso não gera inquietação apenas nos pacientes. Isso gera inquietação também para os clínicos e pesquisadores. Esses profissionais tem se movimentado para aumentar os resultados em pacientes com dor lombar crônica!

Recentemente alguns cientistas e clínicos começaram a desconfiar que o principal motivo para os efeitos pequenos nas intervenções, era porque o grupo de pessoas pesquisado era muito heterogêneo. Ou seja, pessoas com algumas características poderiam melhorar muito, enquanto pessoas com outras caracteristicas melhoravam pouco. O segredo estava em descobrir as características das pessoas que melhoravam muito e que não melhoravam. Dessa forma poderíamos saber qual intervenção utilizar para cada perfil de paciente. A ideia era: “chave-fechadura”. Intervenção sendo a chave e o paciente a fechadura. Fascinante, não é?

No caso de pacientes com dor aguda, essas pesquisas tem contribuido e mudando a maneira de intervir. Por exemplo, pacientes com dor lombar aguda que NÃO apresenta falta de mobilidade na coluna, talvez TENHA falta de mobilidade no quadril – receba mais beneficio com exercícios do que com terapia manual. Por outro lado, um paciente COM falta de mobilidade em algum nível da coluna lombar, SEM falta de mobilidade no quadril e SEM medo de movimentos, pode se beneficiar mais da terapia manual do que o outro paciente apresentado. No entanto, no caso de pacientes com dor crônica, parece que não conseguimos distinguir os pacientes que melhoram com uma intervenção e aqueles que não melhoram. Ou seja, se tiver no meu consultório um paciente com pouca mobilidade aparente na coluna, e outro sem essa falta de mobilidade, ambos poderiam se beneficiar mais dos exercícios como intervenção.

Resumindo… no caso das dor crônica estamos em um limbo! As intervenções que temos disponíveis parecem não ter efeito na dor lombar e outras apenas um efeito pequeno ou modesto!

O que temos que fazer agora? Para onde está indo o estudo da dor lombar?

Umas das possibilidades é desenvolver novas intervenções para a dor lombar. Mas como a ciência pode fazer isso? Antes a ciência não desenvolvia intervenções, apenas testava as intervenções que alguém um dia desenvolveu. Por exemplo: muitas pessoas estão fazendo esse tal de Pilates. Vamos testar para ver se isso funciona para aliviar a dor e incapacidade em pacientes com dor lombar crônica. Existe um método chamado Mackenzie. Vamos testar esse também! E essas fitinhas coloridas? Vamos ver se esse Kinesio Taping funciona (observação: parece não ter diferença quando comparado com micropore comprado na farmácia). Dessa forma fomos entendendo o quanto podemos esperar de efeito com o uso de cada umas das intervenções testadas. De muitas pesquisadas sabemos que parece que as melhores que tem passado no teste cientifico foram: exercícios (incluindo yoga, Pilates, fisioterapia, Tai Chi), terapia cognitivo comportamental, meditação, acupuntura, terapia manual. Mas os efeitos são pequenos!! Desanimadores para os clínicos, cientistas e cientistas.

Inovação no tratamento da dor lombar!

Uma boa definição para inovação seria essa que eu li do artigo de Lorimer Moseley:

“Inovação pode ser considerada formular novas perguntas para problemas antigos, ou propor novas respostas para antigas perguntas.”

Na minha opinião, uma das soluções, quem sabe, seja o desenvolvimento de novas intervenções.

Para desenvolver novas intervenções precisamos basicamente de 3 passos:

Passo 1

A primeira utiliza-se das intervenções já existentes criados por alguém. Cientistas tentam entender o que faz as pessoas melhorarem com os exercícios, por exemplo. Será que é porque os músculos ficam mais fortes? Será que é porque reduz sintomas de depressão? Será que é pelo simples fato de mover o corpo mais frequentemente? Será que é pela melhora do condicionamento cardiorrespiratório? Quantas opções!! Se soubermos os mecanismos que fazem os exercícios realmente aliviarem a dor dos pacientes com dor lombar, podemos passar para o segundo passo da inovação das intervenções.

Passo 2

Desenvolver estratégias para potencializar esse efeito. Se os cientistas encontram que o mecanismo para a melhora da dor com o exercício é o simples fato de se movimentar mais frequentemente, pode-se elaborar um aplicativo que recompensa um paciente com dor lombar ao caminhar, por exemplo. Veja, já inovei! Mas só seria inovação se os outros estágios anteriores fossem realizados. Senão seria um “chute”.

Passo 3

Depois de identificar vários mecanismos, em varias intervenções, que podem fazer parte da melhora de um paciente com dor crônica, posso combina-las para ver se os efeitos são ampliados. Por exemplo, eu mesmo fiz isso! Sabia que educar o paciente sobre o processo biológico que acontece quando ele tem dor, aliviava a dor. Sabia que isso acontecia pelo fato de receberem informações não ameaçadoras sobre seus problemas. Sabia que a educação não era capaz de “conversar” tanto com partes do cérebro relacionadas às emoções. Mas sabia que a intervenção da hipnose clinica era capaz de fazer isso! Então porque não combinar as duas coisas para atuar em mecanismos de ação diferentes ou talvez complementares e ampliar os resultados? Esse estudo fui aprovado para apresentação oral em um dos maiores congressos sobre dor lombar do mundo“International Back and Neck Pain Research Forum 2017” https://www.backandneckforum2017.com Nós encontramos que a hipnose clinica aumenta realmente os resultados da educação em dor em pacientes com dor lombar crônica. Esses achados estão motivando cientistas a replicar o estudo, estudar a combinação com outras intervenções e a entender os mecanismos por traz desses efeitos.

Nenhum processo inovador ocorre sozinho. Por isso encontre pessoas que compartilham da mesma ideia para que as coisas aconteçam. Boa sorte!

Referências

Innovative treatments for back pain

Causal mechanisms in the clinical course and treatment of back pain

 

Últimas Postagens

Onde estamos

Rua Jorge Augusto, 668 - São Paulo/SP
Celular: (11) 99303-2792
Website: http://mapadador.com.br
Email: contato@mapadador.com.br