O que deve ser feito antes de pensar na intervenção para dor lombar aguda?

O que deve ser feito antes de pensar na intervenção para dor lombar aguda?

Se um paciente chega no meu consultório com uma dor lombar há uma semana, sem conversar com ele, eu sei que existe uma probabilidade alta de 80-90% dele retornar completamente às suas atividades profissionais e de lazer em algum momento dentro de um mês e meio.

No entanto quando eu colho a sua história clínica, eu posso manter meu pensamento que existe 80-90% de probabilidade dele retornar completamente suas atividades… ou posso ver a probabilidade de retorno diminuindo e diminuindo…

Qual deve ser minha primeira conduta?

Antes de pensar logo em qual intervenção vou fazer, tenho que fazer a probabilidade subir novamente. O paciente precisa sair do meu consultório com a probabilidade de retorno às suas atividades o mais alta possível!

Agora, você pode se perguntar “Rodrigo, quais são as informações que reduzem a probabilidade do paciente de retornar às suas atividades?

Os principais estudos de revisão sistemática mostram que a probabilidade reduz quando:

  • uma pessoa já está com uma dor por mais de 3 meses;
  • acha que vai realmente terá que ficar afastado do trabalho por muito tempo;
  • teve que parar de trabalhar ou deixar de fazer atividades;
  • apresenta medo que as atividades podem piorar seus sintomas e começa a evita-los;
  • presença de uma dor continua;
  • baixa satisfação no trabalho;
  • compensação financeira no trabalho;
  • depressão;
  • trabalhos de alta sobrecarga física/ baixa possibilidade de adaptação no trabalho;
  • poucas estratégias vantajosas para lidar com a dor e baixa auto eficácia;
  • alto nível de estresse causados por pensamentos catastróficos sobre a dor, ou por algum outro evento estressante não relacionado a dor.

E se você observar os principais fatores são comportamentais, psicológicos e sociais. O profissional tem que ter capacidade de lidar com esses fatores antes de querer empurrar alguma intervenção para o paciente.

Eu gosto de entender esses fatores como obstáculos para recuperação. O profissional da saúde precisa ajudar o paciente a tirar esses obstáculos do meio do caminho para facilitar sua caminhada para a “cidade do bem estar”.