Fazer exame de imagem ou não fazer quando se tem dor lombar?

Fazer exame de imagem ou não fazer quando se tem dor lombar?

Quando uma pessoa tem dor, fica preocupada, com medo de ter alguma coisa séria, e anseia por uma explicação do porquê da dor. Corre para um medico querendo um diagnostico para o problema ser solucionado. “Porque afinal de contas, pode ser algo sério”.

Para a muitas das pessoas, o exame de imagem é algo que pode identificar o problema e nortear o tratamento.

No entanto, existem casos em que fazer exames de imagem são apropriados e ajudam o tratamento. Por outro lado, exames de imagem pode piorar a situação‼ Pode parecer estranho… Talvez você nunca ouviu falar que um exame de imagem, por exemplo ressonância magnética da coluna lombar pode piorar as coisas! Por isso o profissional da saúde deve saber quando o exame pode ajudar ou prejudicar.

Eu vou dar alguns exemplos de quando o exame de imagem pode ser indicado.

1- Uma pessoa com dor há 2 semanas , com dor espalhando para a perna direita, sem nenhuma alteração de força, sensibilidade ou reflexo. Nesse caso, não também necessário exame de imagem, mesmo quando a dor mostra-se irradiada para uma ‘área bem definida da perna.

2- Uma pessoa que tem dor lombar há 4 meses e apresenta os mesmos sintomas anteriores também não precisa de exame de imagem.

Agora veja outros casos:

3- Uma pessoa com dor lombar há apenas 2 semanas, que ao caminhar costuma perder a força nas pernas, sente dormência na perna e quando o profissional avalia, percebe o reflexo patelar diminuído. Seria interessante um exame de imagem!

4- Ou, uma pessoa jovem que sente dor há 4 meses, apenas de madrugada, tem retenção urinária e está ficando cada vez mais preocupada que seu problema também mais serio. Apesar da probabilidade dessa pessoa ter uma problema serio, vale a pena fazer o exame de imagem para reduzir sua preocupação e porque existe uma pequena característica de algo mais sério que também a retenção urinária.

No entanto em todas essas situações em que a pessoa precisa ou não de exame de imagem, a educação deve SEMPRE vir acampainhada. Por exemplo:

Caso 1 e 2: o profissional deve dizer que “apesar de parecer estranho, desconfortável e as vezes preocupantes, sentir dor na coluna que se espalha pela perna também bem comum (dizer a prevalência na população). Eu teste a sua força, sua sensibilidade e seu reflexo e tudo isso está bom então vejo que você pode responder muito bem com algumas dicas que eu vou lhe dar (encorajar se manter ativo o quanto for possível, retornar as atividades antes mesmo da dor desaparecer completamente…) e com fisioterapia….”

Caso 3: “eu tenho uma ideia o que pode estar acontecendo com você, mas eu quero entender melhor e por isso vou pedir esse exame”. E vamos entender melhor e fazer o que deve ser feito para você se sentir melhor e fazer novamente todas suas atividades!”

Caso 4: “eu não acho que nada sério está acontecendo. O que me chama atenção é a sua retenção urinária, que não é tão comum. Vamos fazer um exame só para ver se existe alguma coisa que pode estar influenciando isso”.

Em todos os casos em que a pessoa realizou o exame e não apresentou nada grave (como tumor, fratura, infecção, compressões graves dos nervos) deve enfatizar as coisas boas do exame e dizer que os achados são mudanças normais ao longo da vida.

Por que evitar exames desnecessários?

Porque sabemos que pessoas que fazem exames desnecessariamente, e não recebem explicações para a maioria dos achados radiológicos, costumam passar por procedimentos desnecessários (invasivos) e ficar muito preocupadas. Gastam mais dinheiro com tratamento (muitas vezes sem sucesso) e costumam ficar com crenças de que “tem um problema” (enquanto na verdade apresentam apenas mudanças normais ao longo da vida que não necessariamente precisam levar uma pessoa à dor ou incapacidade.